Estudo multicêntrico com métodos mistos e análise avançada de dados em pacientes oncológicos
Pesquisa brasileira que busca compreender, de forma integrada, como fatores clínicos, emocionais, sociais, econômicos e territoriais se combinam na experiência de quem vive com câncer.
O problema
O câncer é uma condição de elevada complexidade cuja trajetória ultrapassa os processos biológicos do tumor. O diagnóstico altera a vida cotidiana, as relações familiares, o trabalho, a organização financeira e a forma como a pessoa compreende a própria existência. Essas mudanças ocorrem de modo desigual, porque dependem de características clínicas, psicológicas, sociais, econômicas, culturais e territoriais.
Por isso o estudo adota a perspectiva biopsicossocial: sintomas físicos, recursos emocionais, relações sociais, condições materiais de vida e organização da rede de atenção são examinados em conjunto. O sofrimento psíquico é tratado como dimensão recorrente do adoecimento, presente desde a investigação diagnóstica.
A lacuna
A literatura sobre esses determinantes é consistente, mas fragmentada: os estudos costumam se concentrar em um único tipo de câncer, faixa etária, momento do tratamento ou determinante isolado. Faltam, no Brasil, investigações que reúnam essas dimensões em uma mesma base de dados de pacientes oncológicos.
Sem uma base integrada, é difícil identificar quais pacientes têm maior probabilidade de sofrimento psicológico, baixa qualidade de vida, risco nutricional, dificuldades financeiras ou barreiras de acesso. Esses determinantes se relacionam entre si por mediação, moderação e interações não lineares, o que justifica o uso de métodos multivariados e de análise de redes.
Objetivo geral
Analisar os determinantes biopsicossociais associados à saúde mental, à qualidade de vida e às necessidades de cuidado de pacientes oncológicos, mediante a constituição de uma base multidimensional de dados e a aplicação de métodos estatísticos multivariados e técnicas de ciência de dados, com a finalidade de identificar perfis de vulnerabilidade e proteção e subsidiar estratégias de atenção integral em oncologia.
O que a pesquisa busca responder
Caracterizar o perfil dos pacientes
Perfil sociodemográfico, econômico, territorial, clínico, comportamental e assistencial dos participantes.
Avaliar sintomas e qualidade de vida
Ocorrência e intensidade de distresse, ansiedade, depressão, alterações do sono, fadiga, dor, limitações funcionais e comprometimento da qualidade de vida.
Investigar condições socioeconômicas
Associação entre renda, trabalho, toxicidade financeira, insegurança alimentar, escolaridade, transporte, distância e acesso aos serviços e os desfechos biopsicossociais.
Analisar o apoio social
Influência do apoio social, das relações familiares, dos cuidadores, da solidão, do isolamento e do estigma sobre a saúde mental e a qualidade de vida.
Examinar recursos de proteção
Papel da resiliência, da autoeficácia, do enfrentamento, da esperança, da espiritualidade e da percepção de controle como fatores de proteção ou vulnerabilidade.
Relacionar comportamentos de saúde
Relações entre atividade física, sedentarismo, alimentação, risco nutricional, sono, tabagismo, álcool e adesão e os desfechos físicos e psicológicos.
Identificar padrões e agrupamentos
Técnicas multivariadas, análise de redes e aprendizagem de máquina para reconhecer padrões, agrupar pacientes e mapear perfis de maior risco e necessidades não atendidas.
Propor um modelo de estratificação
Modelo de estratificação biopsicossocial que apoie o rastreamento de vulnerabilidades, os fluxos de encaminhamento e o planejamento de intervenções multiprofissionais.
Equipe de coordenação da pesquisa
Prof. Luciano Ferreira Rodrigues Filho
Pesquisador responsável pelo protocolo e coordenador do Núcleo de Práticas e Pesquisas em Psicologia Sócio-Histórica.
Prof. Eduardo Toshio Kobori
Coordenação na área de psicologia da saúde, com foco nos determinantes psicológicos do adoecimento oncológico.
Larissa Rosan Micheletti
Coordenação do planejamento amostral e das análises estatísticas.
Instituições participantes
Centro Universitário de Ourinhos (UNIFIO)
Formação dos estudantes pesquisadores, aplicação dos instrumentos, controle de qualidade da coleta e organização do banco de dados.
Centro de Ensino "Enfª. Eliska Sedlák"
Participação na formação em saúde, na aplicação padronizada dos questionários e no cuidado com a qualidade dos dados.
CEPP · Curso de Psicologia da UNIFIO
Apoio à construção dos instrumentos de saúde mental, à capacitação dos estudantes em acolhimento e à supervisão da escuta durante a coleta.
Rede de Combate ao Câncer de Ourinhos (RECCO) e Amigas do Peito
Aproximação com pacientes e familiares, divulgação da pesquisa na comunidade e leitura das necessidades de quem enfrenta o tratamento.
REDSACSIC
Red Internacional en Salud Colectiva y Salud Intercultural: cooperação científica na discussão metodológica e na leitura intercultural dos achados.
Aprovação ética
Comitê de Ética em Pesquisa · CAAE 94107525.5.0000.0332 e 78783724.0.0000.0332.
Como os resultados estão organizados
Resultados parciais da base de 06/10/2026, com 379 pacientes incluídos, 98% do tamanho amostral calculado (385). As análises são descritivas e exploratórias: mostram associações, não relações de causa.
Oito achados para guiar a leitura
Os resultados são transversais e descritivos: mostram associações, não causas. Mesmo assim, apontam onde o cuidado pode agir mais cedo.
Quem participou e como estão
Tipo de tumor
% entre 377 respostas válidas
Momento do cuidado
Situação atual informada pelo paciente
Gravidade dos sintomas depressivos
Categorias do PHQ-8 · n = 352
Três redes, três perguntas
Rede 1 · O que varia junto?
Liga sintomas, sono, humor, apoio e condições de vida quando sobem ou descem juntos (Spearman, |ρ| ≥ 0,25, FDR < 0,05). Mostra quais problemas costumam aparecer em bloco.
Rede 2 · Quem se parece com quem?
Conecta cada paciente às suas características (tumor, efeitos colaterais, traumas, apoio). As comunidades formam perfis de pacientes com necessidades parecidas.
Rede 3 · O que aparece junto?
Mostra pares de características que ocorrem juntos mais do que o acaso explicaria (φ, Fisher, FDR < 0,05). Revela agrupamentos como trauma e violência.
Saúde mental na trajetória oncológica
O sofrimento emocional acompanha o câncer desde a investigação até os cuidados paliativos. Aqui estão a frequência dos sintomas depressivos e ansiosos, quem está mais exposto, o que protege e o que isso significa para a rotina do serviço.
Quanto sofrimento existe
Distribuição do PHQ-8
Número de pacientes por escore (0–24). Faixas: mínimo 0–4, leve 5–9, moderado 10–14, moderadamente grave 15–19, grave 20–24.
Que sintomas compõem o escore
Média de cada item do PHQ-8 (0 = nenhum dia, 3 = quase todos os dias)
Interpretação
Cerca de 3 em cada 10 pacientes (107 de 352) têm PHQ-8 ≥ 10, ponto de corte usual para sintomas depressivos clinicamente relevantes, e 8,8% chegam a 15 ou mais. Os itens mais pontuados são cansaço e sono, que também são efeitos do câncer e do tratamento. Os itens afetivos (anedonia, humor deprimido, autodepreciação) têm médias menores, mas são os que mais se ligam a solidão e falta de esperança na rede 1.
Na prática, o PHQ-8 pode superestimar depressão quando a carga física é alta. Vale olhar separadamente os dois primeiros itens (PHQ-2 afetivo) e confirmar com entrevista clínica.
Sofrimento emocional acompanha a carga de sintomas
PHQ-8 × carga total de sintomas (ESAS)
Cada ponto é um paciente · ρ de Spearman =
Sintomas emocionais e de enfrentamento
Intensidade média, em % do máximo de cada escala (barras roxas = sofrimento; azuis = recursos)
Interpretação
A ansiedade do ESAS (média 4,9 de 10) só fica atrás do cansaço (5,2) e do mal-estar geral (5,0) entre todos os sintomas. A depressão do ESAS (3,9) supera dor (3,7) e náusea (2,9). Quem tem mais sintomas físicos tende a ter mais sintomas depressivos (ρ = 0,55), e quanto mais características adversas o paciente acumula na rede 2, maior o PHQ-8 (ρ = 0,45). Idade, IMC e consumo de álcool não se associaram ao PHQ-8.
PHQ-8 por grupo
Escolha um recorte. O ponto mostra a média, a faixa clara vai do 1º ao 3º quartil e a linha tracejada marca o corte 10. À direita, a proporção com PHQ-8 ≥ 10. O valor p é do teste de Kruskal-Wallis.
Interpretação
Funcionalidade é o divisor mais forte. Quem mantém as atividades sem limitação tem PHQ-8 médio de 4,7 e 12% acima do corte. Entre quem passa mais da metade do dia na cama, a média vai a 15,6 e 88% ficam acima do corte. História importa: saúde mental prévia (55% vs. 22%) e violência ao longo da vida (48% vs. 23%) mais que dobram a proporção com sintomas relevantes.
Pacientes com doença avançada (56%) e em cuidados paliativos (39%) estão no topo entre as fases do cuidado. Com a amostra maior, a diferença entre fases passou a ser estatisticamente significativa (p = 0,04), assim como a presença de metástase (40% vs. 28%). A relação com o tempo de diagnóstico tem forma de U: o sofrimento é mais frequente entre 3 e 6 meses (38%) e volta a subir após 5 anos (42%), o que sugere necessidades da sobrevivência de longo prazo. Na renda, a proporção cai de 52% (até 1 salário mínimo) para 22% (5 a 10 salários), um gradiente consistente que chega perto da significância (p = 0,07).
Ter cuidador se associa a mais sintomas, e não menos. Provavelmente quem precisa de cuidador está mais doente. No apoio social, o grupo "insuficiente" tem a maior média (11,6), mas o grupo "totalmente insuficiente" fica baixo (6,0); esse ponto merece checagem da codificação no banco.
O que segue associado quando tudo entra junto
Chance de PHQ-8 ≥ 10 (razão de chances, IC 95%)
Três sinais simples na triagem
Limitação funcional (fora da cama > metade do dia ou pior), saúde mental prévia e violência ao longo da vida. Proporção com PHQ-8 ≥ 10 conforme o número de sinais.
Interpretação
Na regressão logística, dois fatores mantêm associação independente: cada nível de limitação funcional multiplica por 3,3 a chance de PHQ-8 ≥ 10 e saúde mental prévia por 5,4. Violência ao longo da vida perdeu força em relação à base anterior e ficou no limite da significância (OR 2,3; p = 0,05). Renda, idade, sexo, apoio e estar em tratamento não se associam quando esses fatores entram no modelo. O modelo discrimina bem (AUC 0,84), mas foi ajustado nos mesmos dados e precisa de validação.
Os três sinais podem ser perguntados em menos de um minuto. Sem nenhum deles, 11% têm sintomas relevantes. Com dois ou mais, são 75%. Isso não substitui o rastreio universal, mas ajuda a priorizar quem a psicologia deve ver primeiro.
Quais experiências acompanham mais sintomas depressivos
Para cada característica da rede 2 com pelo menos 8 pacientes: PHQ-8 médio de quem tem e de quem não tem, proporção acima do corte e teste de Mann-Whitney com correção FDR (q). Clique nos cabeçalhos para ordenar.
Interpretação
Das 122 características testadas, 47 seguem significativas após a correção. Formam quatro grupos: sintomas de estresse no corpo (náusea, falta de ar, tontura e palpitações por estresse elevam o PHQ-8 em 3,5 a 4,8 pontos), efeitos do tratamento (insônia, dor, fadiga, perda de peso, queda de cabelo, alteração facial), história de trauma e violência (presenciar violência em casa, abandono afetivo, violência psicológica, ausência prolongada de cuidador) e perdas e barreiras concretas (perda de trabalho ou de condição financeira, custo e falta de orientação como barreiras à atividade física). Imunoterapia também aparece associada (12,2 vs. 6,9), possivelmente por marcar doença mais avançada. Câncer de tireoide é o único com PHQ-8 menor.
Com o que cada sintoma emocional se conecta
Correlações de Spearman significativas (FDR < 0,05). Barras à direita: variam juntas. Barras à esquerda: quando uma sobe, a outra desce.
Associações positivas
Associações negativas
Interpretação
Depressão e ansiedade do ESAS andam muito juntas (ρ = 0,70) e se ligam a sono (piora do sono, preocupação que atrapalha dormir), cognição (impacto cognitivo) e solidão. O medo de recidiva afeta o sono e impede planos, conecta-se a preocupação com imagem corporal e desejo sexual, e diminui com enfrentamento e atividade física. A solidão atual se correlaciona com solidão na infância (ρ = 0,47), um elo entre história de vida e sofrimento presente.
Esperança, enfrentamento e vínculos
Correlação entre recursos (linhas) e sintomas emocionais (colunas). Azul indica que mais recurso acompanha menos sintoma. Valores em cinza não foram significativos.
Interpretação
Os recursos psicológicos se organizam em dois blocos. Esperança, enfrentamento e controle sobre a vida se relacionam com menos humor deprimido, anedonia e medo de recidiva que impede planos (ρ de até −0,41). Apoio emocional, pertencimento e pessoas próximas se relacionam com menos solidão e autodepreciação. A espiritualidade, muito valorizada (média 3,39 de 4), quase não se correlaciona com sintomas. Ela parece ser um valor compartilhado, mais do que um fator que distingue quem sofre mais.
Saúde mental nas coocorrências da rede 3
Prevalência de histórico e sintomas de estresse
% dos 379 pacientes
Pares mais fortes envolvendo saúde mental
φ = força da coocorrência · lift = quantas vezes mais que o acaso
Interpretação
Na rede 3, depressão e ansiedade prévias formam comunidade com os sintomas de estresse no corpo (palpitações, tensão muscular, dor de cabeça, alterações do sono). Esse grupo de sofrimento psicossomático é o que mais se conecta na rede: "palpitações por estresse" tem 35 ligações. O histórico familiar de depressão, ansiedade e dependência química agrupa-se com luto (morte dos pais, de irmãos) e com suicídio na família. Trauma e violência formam uma terceira comunidade, densa e separada.
O que os dados sugerem para o serviço
Rastrear todos, na chegada e ao longo do tratamento
Com 30% acima do corte e picos no início (3–6 meses) e na sobrevivência longa, o rastreio deveria ser universal e repetido: ESAS e PHQ-2/PHQ-8 a cada etapa, não só quando o paciente pede ajuda.
Tratar a limitação funcional como sinal de alerta emocional
A perda de autonomia é o marcador mais forte. Quando a equipe registra piora funcional, o encaminhamento à psicologia e à reabilitação deveria vir junto.
Perguntar sobre história de saúde mental e violência
São perguntas curtas que identificam quem tem até cinco vezes mais chance de sofrimento. Exigem escuta qualificada e um fluxo claro para quando a resposta é sim.
Cuidar do sono e da preocupação noturna
O sono liga dor, medo de recidiva, ansiedade e cansaço. Higiene do sono, manejo da dor noturna e abordagem do medo de recidiva podem aliviar vários sintomas de uma vez.
Fortalecer esperança, enfrentamento e vínculos
Grupos de apoio, psicoeducação e o envolvimento da família e da comunidade (como o trabalho da RECCO e das Amigas do Peito) atuam sobre os recursos que mais protegem.
Ler o PHQ-8 com cuidado clínico
Cansaço, sono e apetite pesam no escore e se confundem com efeitos do câncer. O resultado é ponto de partida para avaliação, não diagnóstico.
Quem são os participantes
379 pacientes incluídos após excluir 21 registros incompletos. Percentuais calculados sobre respostas válidas; "não sei" e "prefiro não responder" ficam fora do denominador.
Idade
Sexo
Raça/cor
Escolaridade
Renda familiar
Estado civil
Interpretação
A amostra é majoritariamente feminina (74%), reflexo do peso do câncer de mama e ginecológico, com idade média de 54 anos. Quase dois terços (64%) vivem com até 3 salários mínimos e 37% não completaram o ensino médio. Esse perfil pede materiais e orientações em linguagem simples e atenção ao custo indireto do tratamento.
De onde vêm e onde se tratam
Municípios de residência
Sistema de saúde utilizado
Hábitos e estado nutricional
IMC (n = ) e tabagismo
Interpretação
71% dependem exclusiva ou predominantemente do SUS. A amostra alcança 49 municípios. Como 85 pacientes tratam no Paraná e 270 em São Paulo, a análise de acesso precisa considerar o deslocamento entre estados. Mais da metade tem sobrepeso ou obesidade (60%), achado relevante para a reabilitação e para alguns tumores hormônio-dependentes.
Doença e tratamento
Tumor principal
Estadiamento informado
Tempo desde o diagnóstico
Tratamentos realizados
% dos 379 pacientes (múltipla escolha)
Comorbidades
% dos 379 pacientes (múltipla escolha)
Situação atual
Em tratamento ativo: .
Interpretação
Mama responde por 40% dos casos, seguida dos tumores ginecológicos (11%) e colorretais (7%). Um terço dos pacientes (34%) não sabe dizer o estádio do tumor: 26% foram informados, mas não lembram, e 8% dizem não ter sido informados. É um alvo claro para a comunicação da equipe. Quimioterapia (71%) e cirurgia (65%) são os tratamentos mais comuns; hipertensão (33%) e diabetes (17%) as comorbidades mais frequentes.
Carga de sintomas
Intensidade média de cada sintoma
Escala 0 (ausente) a 10 (pior possível)
Escore total do ESAS
Interpretação
Cansaço é o sintoma mais intenso (5,2), seguido de perto por mal-estar geral (5,0) e ansiedade (4,9). Dois dos cinco sintomas mais intensos são emocionais. O escore total varia muito (0 a 82), com um quarto dos pacientes com 50 pontos ou mais, grupo que concentra as maiores necessidades de cuidado paliativo e de suporte.
Autonomia no dia a dia
Nível funcional (escala tipo ECOG)
Barreiras à atividade física
% dos 379 pacientes
Interpretação
Quase metade mantém as atividades sem limitação, mas 1 em cada 5 não consegue manter a rotina ou passa a maior parte do dia na cama. Na rede 1, "Limitação funcional" é o nó mais central (63 conexões), ligado a fadiga, perda de apetite, cognição e humor. Dor e fadiga são as principais barreiras ao exercício. O medo de piorar a doença (14%) e a falta de orientação (4%) são barreiras que a equipe pode resolver com informação.
Efeitos colaterais e mudanças corporais
Efeitos colaterais relatados
% dos 379 pacientes
Mudanças corporais
% dos 379 pacientes
Nutrição, sono, cognição e imagem corporal
Média de cada variável em % do máximo da sua escala. Em todas, valor maior significa mais daquilo que o rótulo diz. Passe o cursor para ver a escala original.
Interpretação
A preocupação atrapalha o sono bem mais do que a dor (54% contra 34% da escala), no mesmo nível dos despertares noturnos (54%). Na nutrição, saciedade precoce, boca seca e redução da ingestão superam feridas na boca e dificuldade de engolir. Ainda assim, a dificuldade de engolir é a que mais se liga à capacidade de sair de casa (ρ = −0,50). Na cognição, as queixas de memória, atenção e raciocínio formam um bloco coeso (ρ de 0,64 a 0,74), compatível com o "chemo brain". Imagem corporal e sexualidade aparecem com intensidade moderada, mas muitas vezes sem resposta (até 28% de ausentes), o que sugere tema pouco falado.
Dinheiro, deslocamento e informação
Intensidade média em % do máximo da escala. Passe o cursor para ver a escala original e o número de respostas.
Interpretação
A distância é a barreira mais intensa: a média fica entre 31 e 100 km até o tratamento e de 1 a 2 horas de viagem. Os gastos do próprio bolso e a queda de renda aparecem em intensidade moderada, enquanto faltar dinheiro para comida ou remédio é menos comum. Quando acontece, porém, vem em bloco: as duas faltas se correlacionam fortemente (ρ = 0,69) e se ligam a estigma, a dificuldade de engolir, a menos apoio e ao medo de recidiva que atrapalha o sono. A comunicação com a equipe é bem avaliada (equipe clara: 3,6 de 4), mas a necessidade de ajuda para ler e para usar meios digitais é expressiva e cresce com a idade (ρ = 0,57) e com a baixa escolaridade.
Como o social se liga ao clínico
Correlações mais fortes das variáveis sociais e de acesso
Pares com ao menos uma variável socioeconômica, de acesso ou de comunicação
Renda familiar e sintomas depressivos
% com PHQ-8 ≥ 10 em cada faixa de renda
Gradiente de 52% para 22% entre a faixa mais baixa e a de 5–10 salários. O teste global fica perto da significância (Kruskal-Wallis p = 0,07) e a faixa acima de 10 salários tem só 7 pacientes.
Interpretação
Na rede 1, a falta de dinheiro forma comunidade com o medo de recidiva, o estigma e as faltas a consultas: a insegurança financeira e o medo do futuro aparecem juntos. A comunicação com a equipe e o letramento formam outro bloco. O social chega aos sintomas por pontes específicas: qualidade alimentar (o nó de maior intermediação da rede), capacidade de sair de casa e dificuldade de engolir. Faltas a consultas por transporte e por falta de acompanhante andam juntas (ρ = 0,54), sinal de que transporte solidário e acompanhante resolvem o mesmo problema.
O mapa das associações
Sete blocos de variáveis
Os nós que organizam a rede
Mais conexões (grau)
Variáveis ligadas a mais outras
Pontes (intermediação)
Variáveis no caminho entre blocos
Influência (autovetor)
Ligadas a outras muito conectadas
Interpretação
Limitação funcional e fadiga que limita atividades são o centro de gravidade da rede: estão ligadas a cerca de metade das variáveis. As pontes são diferentes: qualidade alimentar, limitação funcional e capacidade de sair de casa conectam o bloco físico ao social. Medo de recidiva que atrapalha o sono está entre os três nós mais conectados (62 ligações) e une o bloco emocional ao das dificuldades financeiras. Intervenções nesses pontos têm maior potencial de efeito em cadeia, hipótese a ser testada em estudos longitudinais.
Correlações de destaque
Positivas
Negativas
Todas as correlações significativas de uma variável
Inclui pares abaixo do corte de 0,25 usado na rede (todos com FDR < 0,05). São pares significativos de 6.328 testados.
Correlações positivas
Correlações negativas
Quatro perfis de pacientes
379 pacientes ligados a 146 características (7.293 ligações; média de 19,2 por paciente). A detecção de comunidades agrupa pacientes que compartilham características. Os nomes resumem as características mais sobrerrepresentadas em cada grupo. Três pacientes formaram um grupo residual, pequeno demais para interpretar, que não aparece abaixo.
Proporção com PHQ-8 ≥ 10 em cada perfil
Linha tracejada: média da amostra (30,4%)
Interpretação
Os perfis separam necessidades diferentes. O maior grupo (31%) tem trajetória mais estável: pacientes mais velhos, com mais homens e tumores de próstata e colorretal, apoio de cônjuge e filhos e a menor carga de sintomas. O perfil de câncer de mama com rede de apoio ampla (26%) tem a menor proporção de sintomas depressivos (12%). Os outros dois concentram o sofrimento: em toxicidade e doença avançada (maior ESAS, metástases e 43% com limitação funcional) e em trauma, violência e sofrimento psicossomático (pacientes mais jovens), metade dos pacientes tem PHQ-8 ≥ 10, quatro vezes mais que no perfil de mama. Com a amostra maior, os perfis de trauma e de sofrimento psicossomático, antes separados, se fundiram. Cada perfil pede uma porta de entrada diferente: suporte paliativo e nutricional, psicoterapia ou rede de proteção social.
Todas as características
Características que mais ligam perfis
Intermediação: quanto a característica está no caminho entre pacientes de grupos diferentes
O que aparece junto
Agrupamentos de experiências
Coocorrências de destaque
Interpretação
As coocorrências mais fortes juntam formas de violência entre si (física, psicológica, sexual, negligência) e com traumas da infância. Quem sofreu uma forma de violência tem grande chance de ter sofrido outras, o que reforça a importância de perguntar de forma ampla. Entre os efeitos do tratamento, náusea, vômitos, alteração do paladar e perda de apetite formam o bloco mais coeso, agora junto com câncer de pulmão, metástases e imunoterapia. A trajetória do câncer de mama aparece como bloco próprio (cirurgia, mudança na mama, hormonioterapia, alteração de pele, ganho de peso).
Delineamento, amostra, instrumentos e análise
Descrição dos procedimentos que produziram os resultados deste painel. O relato toma como referência a diretriz STROBE para estudos observacionais transversais.
Tipo de estudo
- Desenho
- Estudo observacional, transversal e multicêntrico, com métodos mistos convergentes: componente quantitativo (escalas e itens estruturados) e qualitativo (questões abertas) coletados na mesma entrevista.
- Fonte de dados
- Dados primários de mundo real, obtidos por entrevista estruturada mediada por questionário eletrônico.
- Referencial
- Modelo biopsicossocial (Engel, 1977): o adoecimento é compreendido como produto da interação entre fatores biológicos, psicológicos e sociais.
- Unidade de análise
- O paciente, avaliado em um único momento. As relações estimadas são associações; o desenho não permite inferir temporalidade nem causalidade.
- Desfecho principal deste painel
- Sintomas depressivos clinicamente relevantes, definidos como PHQ-8 ≥ 10.
Onde, quando e com quem
Cenário
Serviços de atenção oncológica e redes de apoio parceiros do estudo, em cooperação entre UNIFIO, CEPP do curso de Psicologia da UNIFIO, Centro de Ensino "Enfª. Eliska Sedlák" e RECCO. A base analisada inclui residentes de 49 municípios.
Período
Coleta prevista de agosto a outubro de 2026. Este painel usa a base extraída em 06/10/2026, com registros entre 11/08 e 06/10/2026.
Amostragem
Não probabilística, consecutiva: são convidados os pacientes elegíveis à medida que são identificados nos serviços. A distribuição por serviço e diagnóstico é monitorada para evitar concentração em um único perfil.
Critérios de inclusão
- Diagnóstico oncológico confirmado, em qualquer fase do percurso: investigação, tratamento ativo, pós-tratamento, sobrevivência ou cuidados paliativos.
- Vínculo assistencial ou residência na área de abrangência do estudo.
- Condições de compreender as informações do estudo.
- Concordância em participar, com assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE).
Critérios de não inclusão
- Incapacidade de compreender as informações ou de consentir.
- Condição clínica que, no momento da abordagem, impeça a participação, a critério da equipe assistencial ou da supervisão.
- Recusa em assinar o TCLE.
Na base analisada, as idades válidas vão de 18 a 94 anos. Quatro registros com idades implausíveis (10, 11 e 380 anos), compatíveis com erro de digitação, tiveram a idade tratada como ausente.
Tamanho da amostra
O tamanho mínimo foi calculado para estimar uma proporção com 95% de confiança e margem de erro de 5 pontos percentuais, tomando como população de referência as cerca de 1,5 milhão de pessoas vivas com diagnóstico de câncer no Brasil (Real Oncologia).
Fórmula para proporções com correção para população finita
n₀ = 1,96² × 0,5 × 0,5 / 0,05² = 384,16
n = n₀ / [1 + (n₀ − 1) / N]
n = 384,16 / [1 + 383,16 / 1.500.000] = 384,06 ⇒ 385 Arredondamento para o inteiro superior. Com N = 1,5 milhão, a correção para população finita é desprezível (n praticamente igual a n₀).
| Parâmetro | Valor | Justificativa |
|---|---|---|
| N · população | 1.500.000 | Pessoas vivas com diagnóstico de câncer no Brasil |
| Nível de confiança | 95% (Z = 1,96) | Convenção em estudos de prevalência |
| e · margem de erro | 5% | Precisão absoluta desejada para as proporções |
| p · proporção esperada | 50% | Valor que maximiza a variância p(1 − p) e gera o tamanho mais conservador |
Questionário eletrônico em 10 domínios
Entrevista estruturada com escalas validadas para a população brasileira sempre que possível e itens estruturados do protocolo. A tabela indica as medidas de cada domínio usadas nas análises deste painel.
| Domínio | Conteúdo | Medidas usadas no painel |
|---|---|---|
| 1 · Sociodemográfico e territorial | Idade, sexo, cor/raça, escolaridade, estado civil, domicílio, município, distância até os serviços | Variáveis categóricas; distância e tempo de deslocamento em faixas ordinais |
| 2 · Condições econômicas | Renda, trabalho, perda de renda, despesas, transporte, benefícios, toxicidade financeira | Renda em faixas de salário mínimo; itens de frequência (Likert) sobre falta de dinheiro para comida e remédios |
| 3 · Informações clínicas | Tipo de câncer, tempo de diagnóstico, estadiamento, tratamentos, comorbidades, recorrência | Itens de múltipla escolha; IMC calculado de peso e altura referidos |
| 4 · Sintomas e funcionalidade | Dor, fadiga, sono, mobilidade, limitações para atividades cotidianas | ESAS, 9 sintomas de 0 a 10 (Bruera et al., 1991); nível funcional em 5 categorias adaptadas do ECOG (Oken et al., 1982) |
| 5 · Saúde mental e recursos psicológicos | Distresse, ansiedade, depressão, medo de recorrência, esperança, enfrentamento, controle | PHQ-8, 0 a 24, corte ≥ 10 (Kroenke et al., 2009); itens Likert de recursos psicológicos |
| 6 · Relações sociais e familiares | Apoio percebido, cuidador, solidão, conflitos, estigma, história de infância | Itens Likert; tipos de apoio em múltipla escolha |
| 7 · Comportamentos de saúde | Atividade física, sedentarismo, alimentação, sono, tabagismo, álcool | AUDIT-C, risco ≥ 4 em homens e ≥ 3 em mulheres (Bush et al., 1998); dias de atividade física por semana |
| 8 · Acesso e experiência com os serviços | Continuidade, comunicação, participação nas decisões, necessidades não atendidas | Itens Likert de comunicação e letramento |
| 9 · Qualidade de vida | Percepção global de bem-estar | Ainda não analisado neste painel |
| 10 · Questões abertas | Dificuldades, mudanças, apoios, barreiras e sugestões | Componente qualitativo em análise (ATLAS.ti); não incluído neste painel |
A primeira versão do formulário (10/08/2026) incluía PHQ-9, GAD-7 e SARC-F, depois retirados; com um único respondente, esses instrumentos não entram nas análises. O nível funcional foi analisado como variável ordinal de 0 (sem limitação) a 4 (acamado e dependente).
Procedimentos de campo
Aplicação
A coleta é feita por estudantes pesquisadores da UNIFIO e do Centro de Ensino "Enfª. Eliska Sedlák", capacitados em ética em pesquisa, abordagem de pacientes oncológicos e aplicação padronizada do instrumento, sob supervisão docente.
A sequência de cada entrevista é: apresentação do estudo e confirmação da elegibilidade em ambiente reservado; leitura e assinatura do TCLE; aplicação do questionário, autoaplicado ou assistido, com leitura literal dos itens; encerramento; e registro na plataforma. Recusas a itens são registradas como recusa, nunca preenchidas por suposição.
Controle de qualidade
Supervisão periódica, monitoramento da composição da amostra, verificação de duplicidades, inconsistências e dados ausentes. Cada participante recebe um código único; dados identificadores não integram o banco de análise.
Diante de sinais de sofrimento intenso ou risco, a aplicação é interrompida e é acionado o fluxo institucional de acolhimento e encaminhamento, sem que as respostas sejam tratadas como diagnóstico.
Do registro bruto à base de análise
Foram excluídos registros com menos de 5 de 10 campos centrais preenchidos (idade, gênero, raça/cor, tipo de tumor, dor no ESAS, primeiro item do PHQ, apoio principal, tabagismo, conhecimento do diagnóstico e cuidadores na infância) e registros duplicados pelo identificador do estudo. Nomes, textos livres e datas não foram exportados para as análises.
Padronizações: grafias de unidade federativa; idades fora de 18–110 anos tratadas como ausentes; altura em centímetros convertida para metros, com valores fora de 1,30–2,10 m tratados como ausentes; peso limitado a 30–200 kg; IMC recalculado. O PHQ-8 foi somado apenas quando os 8 itens estavam respondidos. Itens de múltipla escolha foram desdobrados em variáveis binárias, excluindo respostas não informativas ("nenhum", "não sei", "não se aplica", "outro", "prefiro não responder").
Escalas Likert foram convertidas em escores ordinais orientados de modo que valor maior signifique mais daquilo que o rótulo descreve (por exemplo, mais esperança ou mais solidão). Nas escalas Nada / Pouco / Moderadamente / Bastante / Muito, adotou-se Bastante = 3 e Muito = 4. "Não sei", "não se aplica" e "prefiro não responder" foram tratados como ausentes. Não houve imputação: cada análise usou os casos disponíveis (análise pareada) ou casos completos (regressão).
Procedimentos analíticos
Todas as análises foram exploratórias, com nível de significância de 5% (bilateral, salvo indicação). Quando muitos testes foram feitos ao mesmo tempo, os valores p foram corrigidos pela taxa de falsas descobertas (FDR) de Benjamini-Hochberg.
Descritiva e comparações
Variáveis categóricas foram descritas por frequências e percentuais sobre respostas válidas; variáveis numéricas por média, desvio-padrão, mediana e quartis. Intervalos de confiança de proporções foram calculados pelo método de Wilson.
O PHQ-8 foi comparado entre grupos pelo teste de Kruskal-Wallis. A varredura de características comparou o PHQ-8 de quem tem e de quem não tem cada característica com pelo menos 8 pacientes pelo teste de Mann-Whitney, com correção FDR. Associações entre escores usaram a correlação de Spearman.
Modelo multivariado
Regressão logística para PHQ-8 ≥ 10 com casos completos (n = 246; 70 eventos). Variáveis explicativas: nível funcional (ordinal, 0–4), saúde mental prévia, violência ao longo da vida, tratamento ativo, renda de até 2 salários mínimos, sexo feminino, idade (por 10 anos) e apoio social insuficiente.
Resultados expressos em razão de chances (OR) com IC 95%. A discriminação foi avaliada pela área sob a curva ROC (AUC) e o ajuste pelo pseudo-R² de McFadden. O modelo é exploratório e não foi validado em amostra independente.
Análise de redes
Rede 1 · Correlações
113 variáveis ordinais e numéricas. Arestas para pares com |ρ| de Spearman ≥ 0,25 e FDR < 0,05, calculados com os pares disponíveis (mínimo de 50 casos por par). Peso = |ρ|; o sinal é mantido como atributo. Resultado: 1.320 arestas entre 6.328 pares testados.
Rede 2 · Bipartida
379 pacientes ligados a 146 características (tumor, efeitos colaterais, comorbidades, traumas, apoio etc.), com 7.293 arestas. As comunidades agrupam pacientes que compartilham características e foram descritas pela sobrerrepresentação de cada característica (lift).
Rede 3 · Coocorrência
133 características presentes em pelo menos 5 pacientes. Arestas para pares com φ > 0, ao menos 3 coocorrências e teste exato de Fisher unilateral com FDR < 0,05 (721 arestas). Peso = φ; lift e índice de Jaccard ficam como atributos.
Em cada rede foram calculados grau, grau ponderado, centralidade de intermediação, centralidade de autovetor e PageRank. As comunidades foram detectadas por otimização de modularidade com o algoritmo de Louvain (resolução 1). Como o algoritmo tem uma etapa aleatória, foi mantida a partição de maior modularidade em 30 execuções. As posições dos nós no painel vêm de um layout de forças (Kamada-Kawai refinado por Fruchterman-Reingold) que reforça as ligações internas de cada comunidade; elas diferem do ForceAtlas2 do Gephi.
Componente qualitativo. As respostas abertas estão em análise temática com apoio do ATLAS.ti, com codificação por pesquisadores treinados e revisão de divergências. A integração com os resultados quantitativos será feita em matrizes de convergência, verificando se os relatos confirmam, ampliam ou contradizem as associações.
Software. Python 3 (pandas, SciPy, statsmodels, scikit-learn, NetworkX) e Gephi para exploração visual das redes.
Ética e proteção de dados
Aprovação e consentimento
Protocolo aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa (CAAE 94107525.5.0000.0332 e 78783724.0.0000.0332), em conformidade com a Resolução CNS nº 466/2012. A participação é voluntária e condicionada à assinatura do TCLE em duas vias; o participante pode recusar itens ou interromper a entrevista a qualquer momento, sem prejuízo à assistência.
Dados e inteligência artificial
Pseudonimização por código único, separação dos dados identificadores, acesso restrito e divulgação apenas agregada, em observância à Lei Geral de Proteção de Dados (Lei nº 13.709/2018). Técnicas de estatística, ciência de dados e aprendizagem de máquina são usadas sob supervisão humana; nenhum dado identificável é inserido em plataformas públicas, e os algoritmos não estabelecem diagnósticos nem decidem encaminhamentos.
Cautelas na leitura dos resultados
Transversal
Todas as medidas vêm do mesmo momento. As redes mostram associação, não direção nem causa. A rede 1 usa correlações bivariadas, não parciais; uma rede regularizada (EBICglasso, pacotes qgraph e bootnet em R) é o próximo passo.
Não probabilística
Os 379 pacientes atingem 98% do tamanho mínimo calculado (385), mas foram recrutados de forma consecutiva nos serviços participantes, com predomínio de residentes de São Paulo e do Paraná. Há predomínio de mulheres e de câncer de mama. Grupos pequenos (tumores raros, cuidados paliativos) têm estimativas instáveis.
Rastreio, não diagnóstico
O PHQ-8 rastreia sintomas depressivos e inclui itens somáticos que se sobrepõem aos do câncer. Muitas comparações foram feitas; a correção FDR reduz, mas não elimina, achados ao acaso. O modelo logístico não foi validado externamente.
Termos usados no painel
- ρ (rho) de Spearman
- Mede se duas variáveis sobem e descem juntas, de −1 a 1. Em pesquisas de saúde, 0,25 já é uma associação relevante e acima de 0,5 é forte.
- FDR (q)
- Correção para muitos testes ao mesmo tempo (Benjamini-Hochberg). q < 0,05 significa que, entre os achados aceitos, espera-se no máximo 5% de falsos positivos.
- φ (phi) e lift
- φ mede a força da associação entre duas características sim/não. Lift diz quantas vezes o par aparece mais do que o esperado se fossem independentes.
- Modularidade e comunidades
- Algoritmo que divide a rede em grupos mais ligados entre si do que com o resto.
- Grau, intermediação e autovetor
- Grau é o número de ligações. Intermediação mede quanto um nó serve de ponte entre outros. Autovetor valoriza quem está ligado a nós também muito conectados.
- PHQ-8 e ESAS
- PHQ-8: questionário de 8 itens sobre sintomas depressivos nas últimas 2 semanas (0–24; ≥ 10 sugere sintomas moderados ou mais). ESAS: escala de Edmonton com 9 sintomas de 0 a 10.
- Razão de chances (OR)
- Quantas vezes a chance do desfecho muda com o fator, mantendo os demais fatores do modelo constantes. OR = 1 significa sem associação.
Referências metodológicas
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- Benjamini Y, Hochberg Y. Controlling the false discovery rate: a practical and powerful approach to multiple testing. Journal of the Royal Statistical Society: Series B. 1995;57(1):289-300.
- Blondel VD, Guillaume JL, Lambiotte R, Lefebvre E. Fast unfolding of communities in large networks. Journal of Statistical Mechanics. 2008;2008:P10008.
- Brasil. Conselho Nacional de Saúde. Resolução nº 466, de 12 de dezembro de 2012. Diário Oficial da União, 2013.
- Brasil. Lei nº 13.709, de 14 de agosto de 2018. Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD).
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- Cochran WG. Sampling Techniques. 3. ed. New York: John Wiley & Sons; 1977.
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- Wilson EB. Probable inference, the law of succession, and statistical inference. Journal of the American Statistical Association. 1927;22(158):209-212.
Para abrir no Gephi
As três redes estão em .gexf (Arquivo → Abrir) e em pares de CSV de nós e arestas. Roteiro sugerido: ForceAtlas2 com "Prevent overlap", estatísticas de modularidade, grau ponderado, intermediação e autovetor, cor por domínio ou comunidade e filtro por peso. O script build_gephi.py reproduz todas as redes.